Séries que estou assistindo: Black Mirror (2011)

Caro Espelho Obscuro…
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Que o cinema e as séries traduzem nossos dilemas, seja coletivo ou pessoal, não é novidade. Nos vemos em um espelho quando deparamos com um assunto que nos incomoda ou nos anima. Pode ser por causa de uma lembrança, situação que estamos vivenciando ou ansiando. Passado, presente ou futuro. Isso acontece porque no fundo somos todos iguais, alguns mais iguais que os outros, parafraseando George Orwell no memorável A Revolução dos Bichos. O sentimento que mais nos une, ainda relacionando estritamente ao cinema, é a compaixão com a personagem. O sofrimento é o que nos mantém mais próximos de outras culturas. O que nos faz sofrer machuca um espectador lá no Japão, e vice-versa. O drama, neste sentido, é uma linguagem universal. A comédia, por outro lado, é quase regional. Uma comédia britânica segue um humor muito peculiar, difícil para nós – eu – entendermos às vezes.
Sendo um drama Black Mirror é entendido por todos e incomoda. Incomoda muito. Não há como ficar alheio a está produção britânica.

Criada por Charlie Brooker, foi exibida em Dezembro de 2011. A minissérie é dividida em três partes bem distintas uma das outras, tendo em comum o modo como vivemos atualmente e como a tecnologia invadiu e modificou nossas rotinas diárias.

Para mim Black Mirror, ou Espelho Negro/Obscuro em português, representa nosso pior lado, aquele que apenas nós mesmos vimos, mas Charlie Brooker tem uma explicação menos filosófica: “Se a tecnologia é droga – e parece realmente ser – então, afinal, quais são os efeitos colaterais? Esta área – entre o prazer e o desconforto – é onde Black Mirror se passa. O “Espelho Negro” do título é o espelho que você encontra nas paredes, nas mesas, na palma da mão: A fria e brilhante tela da TV, um monitor, um smartphone”.

A seguir uma breve sinopse e minha visão pessoal de cada um deles:

Espisódio 1 – The National Anthem ( Hino Nacional )

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Princesa no cativeiro e o primeiro ministro assustado

Mistura de thriller e política, onde uma fictícia princesa é sequestrada e o resgate é nada menos que a humilhação do primeiro ministro em rede nacional. Temos o uso massivo de redes sociais e vídeos no Youtube. Da negação, num primeiro momento, até a consumação do bizarro ato, tudo é acompanhada pela mídia sensacionalista.
Vejo o episódio representando a sociedade do espetáculo, que discute tragédias e compartilha fotos de acidentes e tudo o que traz revolta. Mesmo não sendo benéfico, quer ver o que acontece com aquele cara que caiu do 20º andar, como os miolos estouraram, etc.

Episódio 2 – 15 Million Merits ( 15 Milhões de Meritos )

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Telas em todo canto com seu avatar

Mérito é a moeda corrente no mundo do segundo episódio. As pessoas vivem cada uma em seu quarto minúsculo, rodeadas por paredes de televisores ligados 24 horas por dia. Passam o dia pedalando uma ergométrica que gera os méritos que podem ser trocados por comida, programas específicos na tv do quarto ou pular um comercial que não queira ver. Para sair deste mundo são necessários 15 Milhões de méritos.
Para sobreviver aqui é preciso pedalar, quem é gordinho é mal visto pelo grupo – alguma semelhança com o “nosso” mundo? – e segue a fazer trabalhos considerados baixos, como faxineiro. É um mundo virtual, os jogos coletivos são na tela, as pessoas não têm contato romântico com as outras. É tudo frio, seco, sem vida. Você fica o dia todo no Facebook? Vai se ver neste episódio.

Episódio 3 – The Entire History of You ( Completa História da sua Vida )

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Olhos em modo reprodução de conteúdo impertinente

Com um chip implantado atrás da orelha temos todo nosso passado disponível para ser relembrado. Imagens em vídeo e sons são armazenados, podendo ser exibidos em telas próximas, para todos verem, ou no modo pessoal, somente a própria pessoa vendo. Com essa premissa o episódio poderia abranger muitas áreas, mas fica no relacionamento de um casal, desde momentos de romance, até sua separação.
Este episódio daria uma série completa, sozinho. É um DR sem precisar das lembranças do parceiro para entender o porquê dos problemas conjugais. Nada pode ser apagado do chip, é um botão de honestidade. Aqui não cabe explicações, está tudo na tela, na sua cara. Você vê sua mulher te traindo com seu melhor amigo. É um chip que os ciumentos do Facebook dariam tudo para ter.

Série com altas dosagens psicológicas e traz muitos assuntos à mesa de debate. É para ver e pensar. E corra para ver a primeira temporada, que a segunda estreia dia 11 de Fevereiro.

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2 comentários sobre “Séries que estou assistindo: Black Mirror (2011)

  1. adorei o post, e a serie é sensacional! gostaria de saber se o autor do texto teria algum filme ou outra serie parecida para me indicar! continuarei entrando no blog em busca de novas resenhas. obrigada!

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    1. Olá Beatriz, há alguns dias ( cof, cof ) que te devo uma resposta. Nem sabia que alguém lia meus textos, me desculpe pela demora.
      Black Mirror é maravilhoso, episódios para serem discutidos longamente, já convenceu alguém mais a ver? Já viu as duas temporadas?
      Fucei a memória, vasculhei nos cantos, mas não encontrei nada parecido, fiz inclusive algumas pesquisas, mas sem sucesso. É claro que há filmes e séries polêmicos, mas sobre temas específicos como religião, ciências, etc, se você tiver algum em mente talvez eu consiga te ajudar.
      Obrigado pela visita!
      Beijo

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